segunda-feira, dezembro 13, 2004

Corrupção e libertinagem

Há dois erros essenciais na formação dos juristas do Brasil que pode comprometer muito mais do que o bom nome dos advogados e sobre eles poucos parecem estar preocupados a ponto de tomar medidas para corrigí-los.
Trata-se precisamente do inchaço no número de cursos de direito no país e posteriormente pela intenção dos alunos em entrar para carreiras públicas pelos altos vencimentos.
Sabe-se muito bem que a educação não é mercadoria: a formação científica de alguém não pode ser comprometida pelo interesse financeiro de empresários que não se importam nem um pouco com ela. Essa falta de comprometimento está escancarada na abertura de cursos de direito que não possuem a mínima condição de funcionar, sem escritório-escola e sem biblioteca com doutrina apropriada, além de professores despreparados.
Isso significa que os direitos de milhares de pessoas podem estar em risco pela inépcia desses profissionais, isso sem levar em conta a que falácia esses mesmos alunos suportaram, pois pagaram por cursos de direito que não lhes ensinou devidamente o direito. É preciso que o MEC tome providências imediatas fechando essas faculdades desqualificadas e impedindo uma catástrofe que prejudicará um sem-número de pessoas.
Noutra ponta, acredito que mais grave devido ao componente moral, ou melhor, à falta dele, estão so gananciosos que não tem o mínimo talento para exercer qualquer profissão que exige o grau de bacharel.
Durante a faculdade conheci muita gente assim, pessoas que não gostavam de discutir direito, achavam chato, detestavam mesmo, mas o olho-gordo nos vencimentos das carreiras públicas impulsionou até a formatura e impulsiona até esse minuto, quando muitos deles estão estudando para os concursos.
Nada contra o direito de querer uma vida estável, com um bom salário, tranqüilidade, mas os interesses pessoais estão abaixo do interesse público de ter como funcionário um jurista de verdade, que acredite no que faz e não em alguém que faz aquilo pelo dinheiro, isso porque pessoas sem ideal são mais sucetíveis a serem corrpompidas e isso é o que o interesse público, com certeza, não quer.
Lamentavelmente não posso apontar soluções aqui que não firam direitos dos cidadãos de prestar concurso se devidamente adequados ao edital e não acho que um edital possa exigir ideal dos candidatos principalmente porque todos vão dizer que tem, embora muitos estejam mentindo, apesar de acreditar que deveria ser pensado algum tipo de referência ou treinamento para apontar pessoas que estão apenas pelos vencimentos de outras que acreditam no direito e na lei. O que vale é um trabalho sempre decidido, uma verdadeira profissão de fé por parte da Ordem dos Advogados, do Ministério Público e da Magistratura no sentido de conscientizar sobre a importância das carreiras jurídicas e de como os membros podem depor mais do que contra elas, podem causar nos cidadãos uma insegurança quanto à sua isenção e competência que prejudica a fé em todos os tipos de prestação estatal e até mesmo no sentido da moralidade, pois se os profissionais da lei são corruptos e desidiosos o que se dirá do cidadão comum?
Abandonar o problema não vai salvar o Brasil do lamaçal da corrupção que prejudica a todos. Estima-se que de cada R$1,00 arrecadado, apenas R$0,50 são aplicados no destino final, pior, o volume de subornos movimenta um 'mercado' que cresce sem parar e movimenta bilhões de reais!
No fim quem paga é o cidadão honesto, que trabalha, cumpre seus deveres e acredita no país.
Chega de sub-bacharéis e de cretinos se fingindo de juristas, pelo bem do Brasil.